quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

AQUI TUDO ACABA EM SAMBA!

Ministro cai no samba após inaugurar estação de tratamento de esgoto

Um comentário:

Anônimo disse...

Ordem, insegurança e terror

O "Choque de Ordem" está fundamentado na ideologia da "Tolerância Zero", criada em Nova York há aproximadamente uma década e já evocada pelo ex-governador carioca Anthony Garotinho para criar uma "sensação de segurança" na população. O novo prefeito não parece muito original.

De forma clara, esse zeramento de tolerância se define por perseguir e encarcerar os pequenos criminosos, o que deixa em aberto se os grandes criminosos seriam também perseguidos. Na prática, parece que não seriam, não são e nada indica que efetivamente o serão. Para o grande crime, a tolerância parece ser mais folgada. Disso, não é ordeiro falar, pois é chocante demais. Não é muito polido dizer que o tal "Choque de Ordem" não é mais do que a expulsão dos pobres de lugares com potencial para especulação econômica e imobiliária.

Em resumo, no "Choque de Ordem" os personagens são principalmente os camelôs, os desempregados, os invasores e os moradores de rua, isto é, os maus consumidores. O objetivo é fazer crer aos consumidores cariocas que são esses pobres-diabos que causam a insegurança. E mais: que uma bela imagem urbana, "ordeira", é fator de segurança. Doce e trágica ilusão.

Ora, como dito anteriormente, ao mesmo tempo em que a vida insegura é a essência desta sociedade, há os que nos querem fazer crer o oposto. E mais: que o que atrapalha a segurança são os "outros", os diferentes, ou, bem se pode dizer, os maus consumidores, os pobres que usam as calçadas para vender todo tipo de coisas ou simplesmente para dormir. Para eles, diz Bauman, tolerância zero.

As coisas são tão loucas num mundo assim que é possível mesmo afirmar que quanto mais ordem, mais insegurança, quanto mais "segurança pública", mais terror. Mas, esse é o jogo e é preciso saber jogar com essas regras sem enlouquecer. De todo modo, é sempre útil saber que nos estão enganando e que a nossa loucura e a nossa estupidez são fundamentais para a sobrevivência dessa lógica social. Saber disso faz sofrer, mas ao menos nos devolve um pouco de sanidade.